sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

a música começou a tocar,

e eu, a sentir. quanto mais ela tocava, menos eu me tinha domínio; sobre mim, sobre o meu corpo, sobre a minha alma. então era quinta à noite e eu só tinha vontade de chorar e engolir os goles de água que tanto custavam a passar pela minha garganta. então eu afoguei os meus sentidos sentidos todos numa dor no peito, no banho; lavei o corpo, a mente e a alma. me encarei no espelho e ali vi minha calma. o corpo nu sempre me pareceu tão frágil, mas dessa vez não. então eu enxuguei meus olhos, vesti uma regata qualquer, deitei na cama e dormi. sem música, sem estrelas nem heróis no meu céu e sem pensar em mais nada.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

dos ex-planos

a vida continua a mesma
mas dessa vez eu estou sozinha
na tv a promoção
do colchão que jurei que compraria contigo.
já nem sinto tanta saudade
me empolgo e desempolgo como quem
não sabe bem o que quer
mas eu sei que eu ainda quero
alguém pra comprar
(e pra dividir)
aquele colchão comigo.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

me acresce e me consome

paixonites são boas quando acrescem
não quando consomem
mas quando te consomem também é bom
te arrancam as horas de sono
os risos de canto de boca
o pensamento afogado
o coração em nó.
ele tá longe
mas não demora e logo vem
porque sabe e muito bem
que meu colo tá sempre aqui.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

a música que eu não te cantei

porque eu acordei com dor no peito
decidida a dizer muito
com coragem de falar pouco
quis te contar da minha noite
da janela aberta que tanto me lembra tu
quis te contar
da música ouvida
sentida
chorada
que tanto dizia por mim
tudo aquilo que eu não me deixei te cantar
hoje
não te contei da música
do pensamento
da minha vontade
do meu amor
eu
só te contei baixinho
que eu sinto tua falta
e que eu despertei cedo
porque eu acordei com dor no peito

domingo, 25 de janeiro de 2009

(...)

no centro, apenas não consegui olhar nos olhos
daquelas pessoas. seria muito doloroso olhar nos
olhos delas e enxergar suas almas vazias e sujas
perdidas vagando por aí,
esquecidas em alguma esquina
afogadas em algum copo de bebida barata
submersas em algum sonho ruim.

sábado, 24 de janeiro de 2009

dos meus sentidos

'tu tem boas energias' ele me disse,
- te vejo de novo?

(então eu lembrei de todas as suas formas
de todos os seus contornos
de como me fez bem tê-lo por perto
do corpo trêmulo
da respiração ofegante
do coração disparado
da ternura em toque)

e respondi:
- com certeza.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

aquilo que eu escrevi mas não enviei

Lá no fundo
arrancando de mim todos os planos
os sonhos, as roupas, os amores
eu não passo de uma hedonista sensível
querendo prever um futuro imprevisível
mergulhando fundo num lago raso
sentindo um mundo que ninguém vê.
de todos os meus hedonismos
talvez o maior deles seja querer ter tu comigo
enquanto tu não mais me quer
e querer te ter longe
quando perto de mim tu está.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

do calafrio que não cala nem frio

então meus olhos dão de encontro com o teu corpo
delicada e sussurrosamente um calafrio me sobe as estranhas
mas um calafrio que não cala
um calafrio que não cala e que de frio só o nome
em segundos meu corpo é posto em alerta
à galope sinto meu coração acelerar
tun-tun, tun-tun, tun-tun;
me interfona
me visto
desço
e lá está tu me esperando.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

das unhas vermelhas roídas

porque eu sei que me olha:
nas unhas roídas, perceba a menina;
no olhar displicente, a mulher contida.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

recapitula

o gato pulou no meu colo,
chegou de mansinho e ali ficou.
o sol se punha,
deixava a sala com gosto de nostalgia
colocava minha percepção em déjà vu.
o sol se punha
o casal se apaixonava
eu deitada no sofá amarelo
olhava pro teto e recapitulava tu.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

esses dias tão gelados

então, da porta de vidro da sala eu vejo o mundo lá fora. vejo muitos prédios. prédios grandes, altos, novos, velhos. sempre reparo nas cortinas, nas luzes, nos quartos, quadros, salas e arranjos em cima da mesa das janelas que consigo ver. há cortinas que nunca abrem. há luzes que nunca se acendem. tem pessoas que eu conheço da sacada de seus apartamentos. quando me deparo com elas na rua, cogito a possibilidade de elas me conhecerem também. se eu as vejo sempre, elas também devem me conhecer. ou não. há algumas senhoras no prédio à frente do meu. elas sempre estão em três e as três sempre tricotando. tricotam as lãs, os pontos a serem dados, provavelmente discutem as vidas de seus netos e também opinam sobre a novela das 9. eu sei que sim. minha vó faz a mesma coisa. no prédio ao lado, há um apartamento só de homens. homens em termos, devem ser colegiais recém formados, bobos e afoitos por descobrir tudo o que a vida tem a lhes mostrar. hoje o dia acordou cedo. a tarde está com cara de manhã. dias cinzas sempre são iguais. mas eu me sinto diferente. estou gelada, minhas mãos estão frias. tirei do armário aquele moletom que ele me deu meses atrás. aquela manta que ainda tem o cheiro dele também. ai ai, é esse friozinho gelado que me deixa com o coração na mão. mas dessa vez, na minha mão. ontem quase não dormi depois de uma conversa tida. liguei o rádio baixinho, quieta. a música mais triste do mundo do Radiohead me pareceu marchinha de carnaval. estava tão feliz que meu corpo tremia. pensei que não fosse conseguir dormir... então eu fechei os olhos e lá permaneci, sonhando longe no meu sonho lúcido.

domingo, 18 de janeiro de 2009

bem-estou, mau-estou

amanheci escutando Beirut...
Let the seasons begin, it rolls right on
que comecem as estações. é. que elas tenham as essências e os perfumes das noites de verão e toda a magia e romantismo dos longos e deliciosos dias de inverno. eu ando precisado disso mesmo. ando sentindo muita falta de alguma coisa que está lá atrás. ou lá na frente. trata-se que eu sinto falta. tanta coisa mudou de uns tempos pra cá, o tempo correu e me deixou lá atrás. ainda ontem coloquei as gavetas a baixo. gavetas recheadas de lembranças, fotos e tudo aquilo que me foi importante um dia. com muito cuidado, coloquei muita coisa fora. coisas que não me valem mais, que eu realmente não quero mais comigo. não preciso de lembranças materializadas para lembrar que as lembranças estão dentro de mim. ficou confuso, mas é isso aí. estou oscilando. bem-estou, mau-estou, bem-estou o no momento seguinte já nem sei mais. como diria a lili 'dormir é uma tentativa de esquecer a falta'. é. e eu sinto muita falta.

sábado, 17 de janeiro de 2009

do ciúme instigado por ti

mas amor
não me instigue a dor no peito
porque ciúme corrói e mata
afunilando assim todos os bons sentimentos
que eu tenho por ti.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

eu bem te quero


com o corpo leve
,
quase derrubei o meu no teu.
por favor, não te assusta comigo
me deixa ficar perto, ao teu ladinho
me dá teu colo todo pra mim?


hoje eu só preciso de um colo e de um cafuné.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

da minha janela

escuta, não ri de mim
se a minha voz falha e o sono escapa
a culpa é tua.
tua
essa definição bem me cabe
na tarde cinza as nuvens sabem
que eu olhava pra elas mas pensava em ti.

domingo, 11 de janeiro de 2009

love me do

Não declaro muito, mas declaro alto:
não vou me sentir mal por me sentir tão bem.
Ontem foi bom mas depois vem a melhor parte...
love, love me do, olhos claros
Suspiro, sorrio, oscilo
E se eu chorar de triste até que meus olhos mel
tornem-se verdes, baby, não te desespera
Nada que um pote de sorvete sabor bolacha-maria
e um dormir no colo não me tragam consolo...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

desde hoje

banho de espuma (em pé)
feito criança, assoprando e fazendo brotar das mãos
bolas arco-íris de sabonete.
com as essências misturadas
as minhas, as do shampoo de camomila, as do creme de canela
já não sinto outros perfumes na minha pele
já transpiro um suor que é só meu.

(ao menos até amanhã)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

yellow submarine

'como uma folha solta ao vento'. é.
'meu amor, meu grande amor, não chegou na hora marcada'.
chegou adiantado demais e eu não estava pronta, meu cabelo não estava arrumado e o café ainda estava em pó. 'Bah Fer, tu tá numa fase braba, hein? acabando com tudo: empregos, relacionamento... eu apostaria em alguma conjunção astrológica te influenciando..' disse um amigo meu. apostado. mas serão dois votos que sim contra nenhum que não, logo a aposta está ganha. só pode. concordo que é covardia largar todas as dores do mundo em uma conjunção astrológica, karma ou hormônios. mas quem vai provar que de fato não é? dane-se. vou arrumar um emprego. fiz uma entrevista hoje e acho que já estou contratada. na entrevista, cruzei as pernas. dizem que é bonito moças que cruzam as pernas. também visitei uns amigos do ex-emprego. na folga deles, fomos para a doce-mania e compramos um pacotão de marshmallow, coisa que há muito eu não fazia. sentamos na praça, comemos até dizer chega, a barriga doer e o cheiro repudiar. na despedida corremos atrás de umas pombas, chutamos umas pedrinhas, comi uns pães-de-queijo e cantamos abraçados 'we all live in a yellow submarine'. eu vivo em um submarino amarelo. afundando cada vez mais. mas a vida continua, baby.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

para o romeo

Eu li um livro sobre tu
onda lá constava teus amores mais secretos
tuas vontades mais excêntricas
teus sonhos mais efêmeros.
Eu descobri meu nome em alguns capítulos
meu nome versiando em tantas linhas
meu nome junto ao teu ao centro de um coração
desenhado à caneta.
Eu pulei algumas páginas
fechei o livro, os olhos, reabri o livro e sorteei
uma página qualquer
Lá, tu e eu vivíamos um romance,
não havia dia, não havia noite
não havia hora de dormir...
Era como se vivessemos um Romeo and Juliet
com todas as metáforas
com todos os hedonismos
mas o final dessa história é tão triste..
Antes que eu chegasse no fim da leitura
eu o fechei e não abri mais.
~
Eu li este livro dentro de ti
cada página foi um suspiro teu
A caneta que escreveu o livro está comigo
Me chama para um café que eu levo ela junto.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

versiando

vive comigo todas as linhas profanas que tu escreve
não te prometo muito mas te prometo intenso
me promete os teus melhores versos
que eu te prometo todas as linhas que escreverá

domingo, 4 de janeiro de 2009

Sgt. Pepper's lonely heart

dia morgado, muito semelhante ao dia de ontem. semelhante, mas melhor. passei o dia enrolada nos lençóis da minha cama afogada nas minhas cobertas. como me faz bem um friozinho fugaz, pena que dure tão pouco. fico mais sensível, sim, mas fico mais amável também - ao contrário do verão, onde o calor me torra a pele clara e o sol, toda a minha paciência. acordei tarde. os pingos de chuva que cortavam o vidro da janela ao lado da minha cama, me colocaram ainda mais preguiçosa e leve, um amanhecer ao meio-dia típico de uma tarde de inverno. hoje não era um bom dia pra sair na rua. era um bom dia pra se esconder entre as cobertas, escutar os pingos de chuva riscarem a janela, ligar o dvd e dormir na metade do filme. depois de tanto dormir, se espreguiçar e se sentir livre de qualquer culpa por se estar dormindo enquanto todos estão acordados. e foi o que fiz. dos dias, talvez o mais feliz do ano nove. passei a tarde assim, mas aí chegou a noite. em dias escuros, a noite não tarda muito a chegar. depois de tanto dormir, acordei com o meu telefone tocando, com uma amiga que há muito não via, pedindo por mim e minha companhia junto à ela no cinema. eu realmente estava sem saco pra ir no cinema. um dia inteiro na cama e mais meio me deixou muito cansada. estava cansada, amassada, exaurida de qualquer força e vontade. mas fui. cheguei atrasada, ela e o namorado estavam à minha espera e ela com o meu bilhete na mão. 'entra logo, guria!'. sala 1. entramos e então eu percebi o quão atrasada estava. 'pensei que tu não vinha mais, sua lóqui', ela me disse rindo. nos acomodamos os três nas macias poltronas da sala. ele, ela, eu. me senti orgulhosa. o cupido daquela relação fui eu. bem me lembro do carinho com que ele olhava para ela e da forma boba e derretida como ela falava com ele. sim, aquele casal quem juntou fui eu. rá, ponto pra mim, eu nunca me engano. ele, ela, eu. sim, eu sobrei. conversamos um pouco, rimos muito, depois, riram sozinhos. é o amor. ao meu lado, um casal apaixonado e eu ali, sozinha. pouco prestei atenção no filme, mas idendifiquei que o Madagascar I é bem melhor que o II. me perdi olhando pra tela, sem muito prestar atenção. estava mais pensando longe, com o coração em outro lugar. não demorou muito e as luzes se acenderam. fitei o rosto dela e ela estava vermelha, ele, igual à ela. é o amor. encontrei um casal conhecido saindo do cinema, além do casal com os quais assisti o filme. nos cumprimentamos e depois se foram. é o amor. descemos os três as escadas que davam acesso ao andar da praça de alimentação, o mesmo que dava acesso à rua. se despediram, ele e ela, e depois ele se despediu de mim. descemos por uma ruazinha estreita do centro da cidade, a rua mais 'modinha' da cidade. deixei ela em casa, andei mais um pouco e saí daquela rua. peguei a avenida. tão linda, tão colorida, tão cheia de luzes. caminhei um pouco e logo encontrei na parada de ônibus, dois amigos: a lili e o gab. que saudades da lili. me sentei com eles, conversamos um pouco e logo veio o ônibus que lhes levaria pra casa. me despedi. mais um casal, o terceiro da noite. é o amor... caminhei mais um pouco e logo estava em casa. tomei um banho, um café e me deitei no sofá. três casais. faltava o quarto. faltava o meu par. faltava e falta. sempre vai faltar.

sábado, 3 de janeiro de 2009

T (zão) de Tédio muito

dia chuvoso. noite gelada. minha cama tá fria e eu também. tomei banho, vesti uma roupa qualquer e deitei na cama, na esperança de findar o meu dia o mais breve possível. fiquei só na esperança. aaaargh de sono que não vem. vem sono. vem sono. vem, preciso de ti. mas parece que ele não me quer. nem sei se alguém me quer. hoje nem eu me quero, nem por piedade alguém vai me querer. meeeeldels que tédio. nem pra escrever eu estou prestando. começou o ano mas eu ainda estou em doismileoito. nenhuma nova perspectiva, nenhum novo compromisso agendado. nada. não tenho planos, não tenho vontades. desde antes, não tenho nem café. NEM CAFÉ. não tenho emprego, não tenho motivação. nem férias eu tenho, porque o meu tempo livre não se chama férias, se chama TÉDIO. ao menos eu tenho alguns livros a serem lidos. tenho um namorado e amigos legais. não sei até quando eles vão ter saco pra me aguentar, vou encher até onde der. hahaha, que mala. amanhã é domingo. hoje é domingo. eu não gosto de domingos. domingo é dia de churrasco (defuntinhos no espeto, mal-digo à todos os carnívoros da face da terra) e música brega no último volume (victor e léo e aquela baboseira toda). perdida nos meus pensamentos disputando espaço com a minha consciência, não consegui dormir. me virei. me coloquei de bruços. de lado. de costas. por fim, de pé. não encontrei posição na minha cama que me deixasse confortável, numa dessas, nem ela me quer. que fundo do poço. não tendo mais o que fazer, fitei meu celular. como se num devaneio, liguei para todas as pessoas importantes que constavam na agenda do meu telefone, pessoas com as quais eu tenho intimidade o suficiente para realizar chamadas inconvenientes às 04 da manhã. [A B C D ...]. devo estar carente. só pode. espero que isso passe logo. devem ser os meus hormônios. ninguém mandou eu nascer com um útero, um par de peitos e outro de coxas. agueenta violão. amanhã vai ser melhor. amanhã tem que ser melhor.